{"id":7840,"date":"2025-09-17T13:53:20","date_gmt":"2025-09-17T16:53:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.legislapp.com.br\/index.php\/cam-legislativa-de-sc-pl-0250-2025\/"},"modified":"2025-09-17T13:53:20","modified_gmt":"2025-09-17T16:53:20","slug":"cam-legislativa-de-sc-pl-0250-2025","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.legislapp.com.br\/index.php\/cam-legislativa-de-sc-pl-0250-2025\/","title":{"rendered":"PL.\/0250\/2025 &#8211; Carlos Humberto"},"content":{"rendered":"<h1 style='text-align: center;'>C\u00e2m. Legislativa de SC &#8211; Autoria de Carlos Humberto<\/h3>\n<p><\/p>\n<article style='text-align: center'>Reconhece o Munic\u00edpio de Brusque como Capital Catarinense da Moda.<\/article>\n<p><\/p>\n<p style='text-align: center'><a href='https:\/\/app.legislapp.com.br\/#\/busca?termo='><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<article>ASSEMBLEIA LEGISLATIVA GABINETE DEPUTADO<br \/>\nESTADO DE SANTA CATARINA CARLOS HUMBERTO<\/p>\n<p>PROJETO DE LEI <\/p>\n<p>Reconhece o Munic\u00edpio de Brusque como Capital Catarinense<br \/>\nda Moda.<\/p>\n<p>Art. 1\u00ba Fica reconhecido o Munic\u00edpio de Brusque como a<br \/>\nCapital Catarinense da Moda. <\/p>\n<p>Art. 2\u00ba O Anexo \u00danico da Lei n\u00ba 16.722, de 8 de outubro de<br \/>\n2015, passa a vigorar com a reda\u00e7\u00e3o constante do Anexo \u00danico desta Lei. <\/p>\n<p>Art. 3\u00ba Esta Lei entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Sala das Sess\u00f5es, <\/p>\n<p>Deputado Carlos Humberto<\/p>\n<p>ANEXO \u00daNICO<br \/>\n(Altera o Anexo \u00danico da Lei n\u00ba 16.722, de 8 de outubro de 2015)<\/p>\n<p>\u201cANEXO \u00daNICO ATRIBUI ADJETIVA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Munic\u00edpio T\u00edtulo Lei Original n\u00ba<\/p>\n<p>Capital Catarinense da Moda<br \/>\nBrusque <\/p>\n<p>(NR)&#8221;<\/p>\n<p>Brusque \u00e9 uma cidade que carrega em seu DNA o esp\u00edrito do<br \/>\ntrabalho, da inova\u00e7\u00e3o e da excel\u00eancia. Encravada no Vale do Itaja\u00ed-Mirim, em Santa<br \/>\nCatarina, sua trajet\u00f3ria confunde-se com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do desenvolvimento da<br \/>\nind\u00fastria t\u00eaxtil no Brasil. Muito al\u00e9m de sua voca\u00e7\u00e3o industrial, Brusque construiu uma<br \/>\nidentidade \u00fanica, marcada pela for\u00e7a de sua gente e pela capacidade de transformar<br \/>\ndesafios em oportunidades. Neste texto, exploraremos as origens, os marcos hist\u00f3ricos<br \/>\ne a relev\u00e2ncia atual de Brusque, que consolidam seu merecido t\u00edtulo de Capital<br \/>\nCatarinense da Moda. <\/p>\n<p>Brusque, localizada no Vale do Itaja\u00ed-Mirim, em Santa<br \/>\nCatarina, destaca-se como uma cidade cuja identidade est\u00e1 profundamente entrela\u00e7ada<br \/>\ncom a hist\u00f3ria, o desenvolvimento e a excel\u00eancia do setor t\u00eaxtil brasileiro. Por sua<br \/>\ntrajet\u00f3ria industrial e cultural, o munic\u00edpio merece ser reconhecido oficialmente como a &#8221;<br \/>\nCapital Catarinense da Moda &#8220;. A cidade \u00e9 marcada pelo pioneirismo, pela for\u00e7a de sua<br \/>\ncadeia produtiva e pela relev\u00e2ncia econ\u00f4mica que desempenha, n\u00e3o apenas em n\u00edvel<br \/>\nestadual, mas em todo o territ\u00f3rio nacional. <\/p>\n<p>Conhecemos a tradicional hist\u00f3ria da funda\u00e7\u00e3o da cidade a<br \/>\npartir daquele 4 de agosto de 1860, quando chegou em Brusque a primeira leva de<br \/>\nimigrantes alem\u00e3es sob o comando do Bar\u00e3o Maximilian von Schneeburg. Mas, quem<br \/>\neram esses imigrantes? A descri\u00e7\u00e3o que se tem da chegada deles \u00e9 apenas textual,<br \/>\nmas extremamente importante para compor a hist\u00f3ria da moda e do t\u00eaxtil brusquense. <\/p>\n<p>O primeiro documento que temos da cidade de Brusque s\u00e3o<br \/>\nos escritos do diretor da Col\u00f4nia, Bar\u00e3o de Schneeburg, de 1860, que cuidadosamente<br \/>\nrelatava dados quantitativos e alguns elementos sociais do local. Entre eles, registrou o<br \/>\nprimeiro tecel\u00e3o e alfaiate, Augusto H\u00f6felmann e Jo\u00e3o Jos\u00e9 Scharfenberg, que<br \/>\nchegaram com a primeira leva em 1860. Em 1863, j\u00e1 eram oito o n\u00famero de alfaiates.<\/p>\n<p>Na primeira \u201cExposi\u00e7\u00e3o da Sociedade Agr\u00edcola Colonial\u201d,<br \/>\nevento onde eram expostos e premiados produtos desenvolvidos na Col\u00f4nia, em 1872,<br \/>\nj\u00e1 era poss\u00edvel observar os produtos de moda expostos. Entre arroz, a\u00e7\u00facar, farinha de<br \/>\nmandioca, haviam flores artificiais, quadros bordados, chap\u00e9us de palha de milho,<br \/>\npentes, cal\u00e7ados, meias, mantas bordadas e outros descritos como \u201ctrabalhos de<br \/>\nsenhoras\u201d, inclusive muitos deles premiados. <\/p>\n<p>O constante contato com a Europa colocou Brusque em<br \/>\nsitua\u00e7\u00e3o privilegiada. Diversos produtos tinham que ser importados. Entre eles, as<br \/>\nfazendas, como eram chamados os tecidos, e os aviamentos, que vinham<br \/>\nacompanhados de cart\u00f5es postais, revistas de moda e cartas. O que permitia que os<br \/>\nmodelos confeccionados em Brusque se aproximassem daqueles que estavam na moda<br \/>\nna Europa no per\u00edodo.<\/p>\n<p> A partir do final do s\u00e9culo XIX, Brusque passa a se destacar<br \/>\ncomo um centro de excel\u00eancia t\u00eaxtil. Imigrantes europeus, especialmente vindos da<br \/>\nAlemanha, da Pol\u00f4nia e tamb\u00e9m da \u00c1ustria e It\u00e1lia, foram fundamentais na constru\u00e7\u00e3o<br \/>\ndessa identidade. A primeira iniciativa de ind\u00fastria propriamente dita ocorreu atrav\u00e9s do<br \/>\nempres\u00e1rio Jo\u00e3o Bauer, conhecido vendeiro do fim do s\u00e9culo XIX. Entre as profiss\u00f5es,<br \/>\nos vendeiros obtinham destaque na col\u00f4nia, sendo grandes respons\u00e1veis pela<br \/>\neconomia. Nessa ocasi\u00e3o, no entanto, o empreendimento t\u00eaxtil n\u00e3o prosseguiu e foi em<br \/>\n1892, por iniciativa de outro vendeiro \u2013 Karl Christian Renaux, que a tecelagem industrial<br \/>\nveio a se consolidar em Brusque. <\/p>\n<p>Karl Christian Renaux, que se tornou conhecido como C\u00f4nsul<br \/>\nCarlos Renaux, um imigrante alem\u00e3o nascido em Loerrach, chegou ao Brasil em 1882.<br \/>\nAp\u00f3s estabelecer-se como comerciante de sucesso em Brusque, Carlos Renaux<br \/>\nvislumbrou o potencial da ind\u00fastria t\u00eaxtil na regi\u00e3o. Em 11 de mar\u00e7o de 1892, dia em que<br \/>\ncompletava 30 anos, fundou a F\u00e1brica de Tecidos Carlos Renaux, a primeira do g\u00eanero<br \/>\na se consolidar em Brusque. A iniciativa contou com a parceria dos comerciantes<br \/>\nAugusto Klappoth e Paul Hoepcke. A chegada de tecel\u00f5es provenientes da regi\u00e3o t\u00eaxtil<br \/>\nde Lodz, na Pol\u00f4nia, foi decisiva para a implanta\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria t\u00eaxtil em Brusque, poiseles detinham o conhecimento necess\u00e1rio para transformar fios de algod\u00e3o em tecido. O<br \/>\ntrabalho na f\u00e1brica iniciou com cerca de oito teares manuais e funcionando junto a sua<br \/>\nvenda. Mais tarde foram adquiridos, da Inglaterra, 30 teares manuais usados. E, com o<br \/>\npassar do tempo, outros mecanizados foram comprados. As primeiras produ\u00e7\u00f5es eram<br \/>\nsimples e se destinavam especialmente para o consumo local. Eram, no entanto, de<br \/>\nextrema import\u00e2ncia para uma \u00e9poca onde a importa\u00e7\u00e3o era dif\u00edcil. <\/p>\n<p>A F\u00e1brica de Tecidos Carlos Renaux enfrentou diversos<br \/>\ndesafios em seus primeiros anos, incluindo a falta de oper\u00e1rios qualificados e a<br \/>\nnecessidade de importar fios tingidos da Europa, o que encareceu a produ\u00e7\u00e3o. No<br \/>\nentanto, a perseveran\u00e7a de Renaux e de sua equipe permitiu que a empresa superasse<br \/>\nessas dificuldades. <\/p>\n<p>Os investimentos na F\u00e1brica de Carlos Renaux foram<br \/>\nconstantes. Em 1900 a empresa comprou uma fia\u00e7\u00e3o, a primeira do estado de Santa<br \/>\nCatarina, e Brusque ficou conhecida como \u201cBer\u00e7o da Fia\u00e7\u00e3o Catarinense\u201d. Na ocasi\u00e3o<br \/>\nfoi comprada uma fia\u00e7\u00e3o de 1000 fusos da empresa inglesa Platt Brothers &#038; Co. Para<br \/>\nmontagem das m\u00e1quinas foi contratado, da Alemanha, o t\u00e9cnico Gustav Walter<br \/>\nBueckmann, especialista em fia\u00e7\u00e3o, que instalou a nova unidade. Essa inova\u00e7\u00e3o<br \/>\npermitiu \u00e0 empresa produzir sua pr\u00f3pria mat\u00e9ria-prima, reduzindo custos e aumentando<br \/>\na competitividade. <\/p>\n<p>Para complementar a produ\u00e7\u00e3o, uma tinturaria foi instalada<br \/>\njunto \u00e0 f\u00e1brica. E embora inicialmente o tingimento fosse bastante rudimentar, este setor<br \/>\ncontribuiu para o desenvolvimento de novos produtos. Mais tarde a f\u00e1brica Carlos<br \/>\nRenaux importou uma caldeira a vapor alimentada por lenha. Finalmente em 1913, por<br \/>\nmeio de uma pequena usina constru\u00edda em Guabiruba, foi instalada a energia el\u00e9trica<br \/>\nem Brusque, o que contribuiu significativamente para o aumento na produ\u00e7\u00e3o de<br \/>\ntecidos. <\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o inicial da f\u00e1brica consistia em artigos simples,<br \/>\ncomo os chamados &#8220;su\u00ed\u00e7os&#8221;, que inclu\u00edam algod\u00e3o xadrez vermelho e branco e riscados<br \/>\npara camisas e cal\u00e7as destinadas ao consumo regional. Devido \u00e0s dificuldades de<br \/>\nvenda, frequentemente a f\u00e1brica ficava parada durante semanas, o que dificultava a<br \/>\nmanuten\u00e7\u00e3o de uma equipe de oper\u00e1rios experientes. No entanto, com o tempo, a<br \/>\nqualidade dos produtos e a reputa\u00e7\u00e3o da empresa cresceram, consolidando a F\u00e1brica<br \/>\nde Tecidos Carlos Renaux como uma das principais ind\u00fastrias t\u00eaxteis do pa\u00eds. <\/p>\n<p>Em 1918, a empresa foi transformada em uma sociedade<br \/>\nan\u00f4nima, sob o nome de F\u00e1brica de Tecidos Carlos Renaux S.A., tendo os filhos e filhas<br \/>\nde Carlos Renaux, e respectivos sogros, como acionistas. Seu filho Otto Renaux foi<br \/>\neleito presidente. A partir desse momento, a empresa continuou a crescer e a inovar,<br \/>\nacompanhando as tend\u00eancias e demandas do mercado t\u00eaxtil nacional e internacional. <\/p>\n<p>A segunda manufatura t\u00eaxtil de Brusque foi uma empresa de<br \/>\nbordados finos, a E. V. Buettner e Cia., que durante algum tempo manteve em paralelo<br \/>\naos neg\u00f3cios t\u00eaxteis o beneficiamento de produtos coloniais. A precursora da Buettner<br \/>\nS\/A Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio surgiu em 1898, fundada por Albertine Burow, esposa do<br \/>\nvendeiro Eduard von Buettner, em sociedade com o filho mais velho do casal, Edgar. A<br \/>\norigem da empresa Buettner guarda rela\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o artesanal de aventais e<br \/>\ntoalhas bordadas por Albertine. Foi ela quem iniciou a primeira confec\u00e7\u00e3o em Brusque.<br \/>\nTalhava pessoalmente aventais que mandava costurar por mulheres costureiras da vila.<br \/>\nQuando Eduard, seu esposo, faleceu em 1902, Albertine precisou tomar as r\u00e9deas dos<br \/>\nneg\u00f3cios da fam\u00edlia. Juntos, m\u00e3e e filho estabeleceram uma firma individual para fabricar<br \/>\nbordados finos, que se especializou em cortinados e foi a primeira do Brasil no g\u00eanero,<br \/>\ncomprando, entretanto, o tecido j\u00e1 pronto para ser bordado. Depois a Buettner passou a<br \/>\nimportar arma\u00e7\u00f5es para sombrinhas \u2013 prote\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel das peles claras das<br \/>\nmulheres europeias em nosso pa\u00eds tropical &#8211; as quais ent\u00e3o eram forradas com fil\u00f3 \u2013<br \/>\ntamb\u00e9m importado \u2013 e bordadas com as m\u00e1quinas \u00e0 manivela, trazidas por Edgar von<br \/>\nBuettner da Alemanha. A empresa come\u00e7ou pequena, com duas m\u00e1quinas a pedal nas<br \/>\nquais se confeccionava sombrinhas, aventais, cortinas, mosquiteiros e pano de bordar.<br \/>\n Gra\u00e7as ao empenho pela qualidade, a partir de 1906 novas<br \/>\noportunidades foram surgindo para a Buettner, que teve seus artigos especiais, as<br \/>\ncortinas bordadas, encomendadas para as reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Rio de Janeiro<br \/>\n(Pal\u00e1cio Monroe, Rio Negro, do Catete, Biblioteca Nacional). <\/p>\n<p>Depois no mercado local, que se estendeu pelo estado. O<br \/>\nprimeiro absorvedor dos tecidos bordados foi o Rio de Janeiro e, no Nordeste, a Bahia.<br \/>\nSeu mercado era constitu\u00eddo principalmente por pessoas abastadas, mas tamb\u00e9m pela<br \/>\nclasse m\u00e9dia, atendendo ao costume de presentear as filhas com guarni\u00e7\u00f5es bordadas<br \/>\npara o enxoval. Certo tipo de mercadoria era tamb\u00e9m despachado para a Alemanha,<br \/>\nconstando como atraentes os motivos brasileiros nos padr\u00f5es. Com a expans\u00e3o do<br \/>\nmercado, o estabelecimento fabril consolidou-se, deixando de depender dos altos<br \/>\ncr\u00e9ditos particulares. Em 1912 a firma, sob influ\u00eancia do pol\u00edtico itajaiense Lauro M\u00fcller,<br \/>\nent\u00e3o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, obteve o primeiro cr\u00e9dito banc\u00e1rio. Os bordados<br \/>\nda f\u00e1brica Buettner foram v\u00e1rias vezes premiados em exposi\u00e7\u00f5es no Brasil e no exterior. <\/p>\n<p>A guerra traria mudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o interna da firma que,<br \/>\nlentamente, passou para o ramo da tecelagem, sem, contudo, abandonar os bordados.<br \/>\nDois teares foram adquiridos para a fabrica\u00e7\u00e3o de tecidos e a atividade t\u00eaxtil teve in\u00edcio<br \/>\nem 1915 com a instala\u00e7\u00e3o de uma pequena tecelagem, branqueamento e tinturaria do<br \/>\nfio, objetivando suprir as dificuldades existentes, como falta de m\u00e3o de obra<br \/>\nespecializada e alto custo do material importado. Ap\u00f3s o t\u00e9rmino da Primeira Guerra<br \/>\nMundial, Edgar Von Buettner viajou \u00e0 Alemanha e adquiriu novas m\u00e1quinas para<br \/>\ntecelagem de algod\u00e3o, as quais foram instaladas e deram in\u00edcio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de tecidos<br \/>\nmais sofisticados, como \u00e9tamines, rendados e fil\u00f3 para mosquiteiros. A partir de ent\u00e3o, a<br \/>\ndiversifica\u00e7\u00e3o da sua linha de produ\u00e7\u00e3o tornou-se uma constante e a empresa tomou<br \/>\ngrande impulso. Modernizando ainda mais suas instala\u00e7\u00f5es e ampliando continuamente<br \/>\nos seus neg\u00f3cios, a empresa teve grande ascens\u00e3o e se transformou numa das tr\u00eas<br \/>\nprincipais ind\u00fastrias t\u00eaxteis de Brusque. <\/p>\n<p>Outro nome emblem\u00e1tico dessa trajet\u00f3ria \u00e9 Gustavo<br \/>\nSchl\u00f6sser, tecel\u00e3o oriundo da cidade de Lodz, Pol\u00f4nia, que chegou em Brusque em<br \/>\n1896. Foi contratado por Carlos Renaux para desempenhar a fun\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnico na<br \/>\nF\u00e1brica de Tecidos, onde trabalhou por quinze anos. <\/p>\n<p>Em 1911, Gustav e os filhos Hugo e Adolph fundaram a<br \/>\nGustav Schl\u00f6sser &#038; Filhos, cuja raz\u00e3o social mais tarde passou para Cia. Industrial<br \/>\nSchl\u00f6sser. Inicialmente, contaram com dois teares manuais, sendo um deles um tear<br \/>\njacquard para a produ\u00e7\u00e3o de toalhas de mesa e rosto, adquirido com o cr\u00e9dito concedido<br \/>\npor Carlos Renaux, que se encarregou, tamb\u00e9m, do fornecimento de fio. Inicialmente, a<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o Schl\u00f6sser era vendida aos comerciantes Renaux, Bauer e Buettner. Sua<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o inicial era modesta, mas marcou o in\u00edcio de uma era de prosperidade que<br \/>\nacompanharia Brusque ao longo do s\u00e9culo XX. <\/p>\n<p>Em 1914, ap\u00f3s a chegada da energia el\u00e9trica em Brusque, a<br \/>\nempresa importou oito teares da Sax\u00f4nia. Mais tarde, em 1924, inaugurou sua pr\u00f3pria<br \/>\ntinturaria e, em 1938 uma moderna fia\u00e7\u00e3o foi adquirida, passando a fabricar os fios para<br \/>\no pr\u00f3prio consumo. Logo, o parque fabril da G. Schl\u00f6sser &#038; Filhos contou com fia\u00e7\u00e3o,<br \/>\ntecelagem, tinturaria, estamparia e acabamento, contribuindo significativamente para a<br \/>\neconomia da cidade. No ano de 1933, a firma \u00e9 transformada em Sociedade An\u00f4nima,<br \/>\npassando a ser denominada \u201cCompanhia Industrial Schl\u00f6sser\u201d, um \u00edcone da produ\u00e7\u00e3o<br \/>\nt\u00eaxtil local. O esp\u00edrito empreendedor desses pioneiros e a persist\u00eancia em estabelecer<br \/>\numa ind\u00fastria s\u00f3lida transformaram a cidade em refer\u00eancia. <\/p>\n<p>Vale tamb\u00e9m mencionar a alfaiataria em Brusque. A Alfaiataria<br \/>\nKrieger foi a pioneira na ind\u00fastria de confec\u00e7\u00e3o, embora houvesse muitos alfaiates na<br \/>\ncol\u00f4nia, foi Gustavo Krieger quem iniciou o empreendimento. Fundada em 1898, iniciou<br \/>\nsob a denomina\u00e7\u00e3o de Alfaiataria Elegante e com o passar dos anos se tornou uma<br \/>\nconhecida confec\u00e7\u00e3o. A empresa atuou durante 101 anos, ficando na mem\u00f3ria de<br \/>\nmuitos.<br \/>\nGustavo Krieger, ainda jovem aprendeu o of\u00edcio de alfaiate em<br \/>\nFlorian\u00f3polis, profiss\u00e3o relevante para a regi\u00e3o de Brusque. Depois de aprender todosos segredos da profiss\u00e3o, ao retornar a Brusque, em 1898, iniciou como profissional,<br \/>\nabrindo seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio &#8211; a Alfaiataria Elegante, que acompanhava a moda, por<br \/>\nmeio dos figurinos (revistas) europeus. Em 1946, seus filhos, os irm\u00e3os Axel e Nilo,<br \/>\nderam continuidade ao empreendimento e investiram na alfaiataria, inaugurando a<br \/>\nIrm\u00e3os Krieger. Al\u00e9m da confec\u00e7\u00e3o de ternos, os irm\u00e3os investiram em um mix de<br \/>\nprodutos de moda, como camisas da marca, meias, gravatas, e chap\u00e9us, que<br \/>\ncomplementavam o neg\u00f3cio. <\/p>\n<p>Primeiro Desfile de Moda em Brusque Os anos 1950 ficaram<br \/>\nmundialmente conhecidos por suas significativas transforma\u00e7\u00f5es. Receberam, assim, a<br \/>\nterminologia de Anos Dourados. Os desfiles de moda foram importantes eventos no<br \/>\nper\u00edodo. As empresas brusquenses iniciaram um forte investimento em suas produ\u00e7\u00f5es,<br \/>\nj\u00e1 fazendo uso do marketing como elemento de propaga\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de propagandas em<br \/>\njornais e revistas, as empresas organizaram eventos de destaque \u2013 o primeiro desfile. O<br \/>\nprimeiro desfile de moda da cidade de Brusque ocorreu em 1952. Na ocasi\u00e3o, 42<br \/>\nmodelos participaram do evento, filhas de associados do Clube Atl\u00e9tico Carlos Renaux<br \/>\napresentaram gra\u00e7a e eleg\u00e2ncia na passarela. O desfile resultou em consider\u00e1vel<br \/>\nrepercuss\u00e3o e contou com a presen\u00e7a de ilustres convidados, dentre eles: o governador<br \/>\ndo Estado de Santa Catarina, Irineu Bornhausen; o presidente da Assembleia, deputado<br \/>\nProt\u00f3genes Vieira; o deputado Celso Ramos Branco; o prefeito de Brusque, M\u00e1rio<br \/>\nOlinger; e o prefeito de Florian\u00f3polis, Paulo Fontes. <\/p>\n<p>O evento ecoou em todo estado de Santa Catarina. Jornais e<br \/>\nrevistas deram \u00eanfase ao assunto, destacando a magnitude do acontecimento em seus<br \/>\naspectos econ\u00f4mico e social. A revista \u201cO Vale de Itaja\u00ed\u201d publicou onze p\u00e1ginas<br \/>\nilustradas e comentadas, afirmando que \u201csomente um termo pode exprimir o que foi o<br \/>\nespet\u00e1culo proporcionado pelas ind\u00fastrias de Brusque, com o desfile de modas, com os<br \/>\ntecidos confeccionados pelas firmas deste importante parque industrial catarinense:<br \/>\nmaravilhoso.<\/p>\n<p>Brusque tamb\u00e9m \u00e9 reconhecida por abrigar, de forma rara no<br \/>\nBrasil, toda a cadeia produtiva da moda. Aqui se inicia o processo com a chegada do<br \/>\nalgod\u00e3o, que \u00e9 transformado em fio, depois em malha, passa pelo tingimento nas<br \/>\nmaiores tinturarias do pa\u00eds e segue at\u00e9 a confec\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as de vestu\u00e1rio prontas.<br \/>\nEsse ciclo completo \u00e9 um privil\u00e9gio que poucas cidades brasileiras possuem e garante a<br \/>\nBrusque uma vantagem competitiva not\u00e1vel. <\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o comercial da cidade tamb\u00e9m tem ra\u00edzes hist\u00f3ricas.<br \/>\nDurante d\u00e9cadas, a Rua Azambuja foi considerada o maior centro de pronta entrega do<br \/>\nBrasil. Em seu auge, chegou a abrigar mais de mil lojas, com comerciantes de todo o<br \/>\npa\u00eds visitando a cidade para realizar suas compras. Brusque transforma-se na \u201cCapital<br \/>\nNacional do Turismos de Compras\u201d ou \u201cPolo da Pronta Entrega\u201d. A cidade iniciou com<br \/>\num grande shopping ao \u201cc\u00e9u aberto\u201d, e a for\u00e7a da rua Azambuja projetou Brusque<br \/>\nnacionalmente e consolidou sua fama como polo comercial da moda. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s o sucesso da rua Azambuja nos anos de 1980, foi a vez<br \/>\nde outras regi\u00f5es da cidade se despontarem com seus centros de vendas. Eram muitos<br \/>\nos \u00f4nibus vindos de outras cidades catarinenses e at\u00e9 de outros estados. As lojas<br \/>\nlocalizadas nas ruas j\u00e1 n\u00e3o davam conta de receb\u00ea-los, e o momento era prop\u00edcio para<br \/>\nreorganizar esse sucesso repentino do setor de confec\u00e7\u00f5es em Brusque. <\/p>\n<p>A partir de uma vis\u00e3o empreendedora, foi implantada em<br \/>\nBrusque, em 1991, a FIP \u2013 Feira da Moda, na \u00e9poca um dos maiores empreendimentos<br \/>\ndo segmento de confec\u00e7\u00f5es no Sul do Brasil. Inicialmente com 48 lojas, e logo o espa\u00e7o<br \/>\nfoi expandido, com salas comerciais organizadas, dando origem aos shoppings de<br \/>\ncompras de atacado da cidade. Em 1995 ocorreu a implanta\u00e7\u00e3o de outro grande<br \/>\nempreendimento no setor, Stop Shop \u2013 O Ninho da Moda. Esse amplo crescimento<br \/>\nimpulsionou ainda mais o desenvolvimento de Brusque, favorecendo a economia e o<br \/>\nturismo e, por consequ\u00eancia, a qualidade de vida de seus moradores. Atualmente temos<br \/>\nshoppings exclusivamente de compras de atacado, que recebem turistas e compradores<br \/>\nde todo o Brasil. Em destaque, podemos citar o Catarina Shopping, Master Shopping e<br \/>\nAll Shopping.<br \/>\nTamb\u00e9m merece destaque a Proneg\u00f3cio, realizado pela<br \/>\nAmpeBr (Associa\u00e7\u00e3o das Micro e Pequenas Empresas de Brusque) algumas vezes por<br \/>\nano, com o objetivo de facilitar as negocia\u00e7\u00f5es entre marcas catarinenses e lojistas do<br \/>\nBrasil, e movimentar a economia local. O evento \u00e9 considerado a maior Rodada de<br \/>\nNeg\u00f3cios de confec\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, e nele \u00e9 apresentando o que h\u00e1 de melhor das cole\u00e7\u00f5es<br \/>\nde Inverno, Primavera\/Ver\u00e3o, Alto Ver\u00e3o e Outono\/Inverno, produzido em Brusque e<br \/>\nregi\u00e3o. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Brusque foi ber\u00e7o de importantes marcas do setor,<br \/>\nmuitas delas pioneiras em franquias de moda em Santa Catarina, como Colcci, Two Em,<br \/>\nFry Works, Beach Country, entre outras. Essas marcas, fundadas e desenvolvidas no<br \/>\nmunic\u00edpio, n\u00e3o apenas consolidaram sua presen\u00e7a no mercado nacional, como tamb\u00e9m<br \/>\nabriram caminho para o fortalecimento da identidade fashion da cidade. <\/p>\n<p>A moda tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o para a cidade. Institui\u00e7\u00f5es<br \/>\ncomo a AMPEBr, a ACIBr &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Empresarial de Brusque, sindicatos e institui\u00e7\u00f5es<br \/>\nde ensino, tem atuado para impulsionar o sistema de moda em Brusque. Os cursos<br \/>\npreparat\u00f3rios e profissionalizantes iniciaram junto com a ind\u00fastria t\u00eaxtil, dentro das<br \/>\npr\u00f3prias f\u00e1bricas, nas casas, e posteriormente em institui\u00e7\u00f5es especializadas. O saber<br \/>\nera passado e repassado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. T\u00e9cnicos, modistas e costureiras<br \/>\nvinham do exterior para ensinar. A partir de 1957, o SENAI se instalou em Brusque para<br \/>\ninicialmente atender o setor t\u00eaxtil, e posteriormente foram criados diferentes cursos<br \/>\nvoltados ao vestu\u00e1rio e \u00e0 moda. Iniciado em 2004, o Curso de Design de Moda da<br \/>\nUNIFEBE (Centro Universit\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o Educacional de Brusque) se destaca no<br \/>\nsegmento, realizando desfiles, conv\u00eanios, palestras, viagens internacionais e cursos de<br \/>\nextens\u00e3o, proporcionando forma\u00e7\u00e3o e colocando a moda em movimento na cidade.<br \/>\nSENAC e Uniasselvi tamb\u00e9m disponibilizam cursos voltados para a moda e sua cadeia<br \/>\nprodutiva. <\/p>\n<p>Atualmente, Brusque \u00e9 o maior polo t\u00eaxtil do estado de Santa<br \/>\nCatarina e um dos maiores do pa\u00eds. Segundo levantamento da Prefeitura Municipal de<br \/>\nBrusque, o setor t\u00eaxtil local lidera na gera\u00e7\u00e3o de empregos e renda. Em 2023, por<br \/>\nexemplo, o segmento foi respons\u00e1vel por mais de 3 mil novas admiss\u00f5es, sendo o maior<br \/>\ngerador de empregos na cidade. A for\u00e7a produtiva local contribui n\u00e3o apenas para a<br \/>\neconomia regional, mas tamb\u00e9m para a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra especializada. Dentre<br \/>\nas mais de 3 mil empresas de fabrica\u00e7\u00e3o de produtos t\u00eaxteis e confec\u00e7\u00e3o de artigos do<br \/>\nvestu\u00e1rio de Brusque est\u00e1 a Florisa, maior tinturaria da Am\u00e9rica, com mais de 50 anos<br \/>\nde exist\u00eancia e 500 funcion\u00e1rios. Atualmente a Florisa atende o Brasil inteiro e \u00e9<br \/>\nrefer\u00eancia internacional, consolidando o munic\u00edpio como respons\u00e1vel por abrigar um<br \/>\nter\u00e7o de todas os estabelecimentos industriais do segmento t\u00eaxtil no estado e centro de<br \/>\nrefer\u00eancia em tecnologia, inova\u00e7\u00e3o e moda. <\/p>\n<p>Diante de sua trajet\u00f3ria hist\u00f3rica, da relev\u00e2ncia econ\u00f4mica, da<br \/>\nvoca\u00e7\u00e3o empreendedora e do protagonismo na cadeia produtiva da moda, Brusque tem<br \/>\ntodos os m\u00e9ritos para ser reconhecida oficialmente, como a Capital Catarinense da<br \/>\nModa. A hist\u00f3ria da cidade \u00e9, em grande parte, a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do setor t\u00eaxtil em Santa<br \/>\nCatarina e no Brasil. Tal reconhecimento seria n\u00e3o apenas simb\u00f3lico, mas um tributo<br \/>\njusto ao esfor\u00e7o coletivo de gera\u00e7\u00f5es que constru\u00edram, com trabalho e vis\u00e3o, esse<br \/>\npatrim\u00f4nio industrial e cultural. Ante ao exposto, solicitamos aos Pares o apoio para<br \/>\ntramita\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o da presente proposta.<\/p>\n<p>Sala das sess\u00f5es, <\/p>\n<p>Deputado Carlos Humberto <\/p>\n<p> ELEGIS<br \/>\nDocumento assinado eletronicamente por Carlos Humberto<br \/>\nSistema de Processo<br \/>\nMetzner Silva, em 13\/05\/2025, \u00e0s 14:53.<br \/>\nLegislativo Eletr\u00f4nico<\/article>\n<div style=\"text-align: center\">\n<div style=\"margin-bottom: 20px;\" class=\"et_pb_button_module_wrapper et_pb_button_5_tb_body_wrapper et_pb_button_alignment_center et_pb_module \">\n         <a class=\"et_pb_button et_pb_button_5_tb_body et_hover_enabled et_pb_bg_layout_dark\" style=\"width: 50%;background-color: black;\" href=\"https:\/\/app.legislapp.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Visualizar completo na nossa plataforma (30 dias gr\u00e1tis)<\/a><\/p><\/div>\n<p>      <a href=\"https:\/\/play.google.com\/store\/apps\/details?id=br.com.legislapp\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 15%; min-width: 130px;\" src=\"https:\/\/www.legislapp.com.br\/wp-content\/uploads\/google-play.png\"><\/a><br \/>\n      <a href=\"https:\/\/apps.apple.com\/us\/app\/legislapp\/id1568929859\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 15%; min-width: 130px\" src=\"https:\/\/www.legislapp.com.br\/wp-content\/uploads\/apple-store.png\"><\/a>\n   <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e2m. 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